A busca por perda de peso tem levado muitas pessoas a experimentar medicamentos como o Monjauro, Wegovy e entre outros. Embora essas drogas tenham sido desenvolvidas inicialmente para o tratamento de diabetes, elas passaram a ser usadas off‑label para auxiliar na perda de peso. Contudo, o sucesso a longo prazo depende de mais do que apenas a supressão do apetite, leia este artigo e aprenda mais.
Qual a função da medicação?
A explosão do uso, juntamente com o aumento de denúncias de vendas clandestinas desse tipo de medicação, aponta para uma corrida cujo os objetivos não estão claros. É para saúde? melhora da autoestima? padrão de beleza? Sem um objetivo bem definido, muitas pessoas utilizam o Monjauro sem considerar as questões subjetivas envolvidas tanto no ganho de peso quanto no próprio processo de perda de peso.
A medicação ajuda diante de uma dificuldade comum da nossa sociedade: emagrecer. Em meio ao excesso e à facilidade de acesso a diferentes tipos de comida, somados a uma rotina corrida que dificulta a prática de exercícios físicos, a via medicamentosa parece oferecer uma solução mais fácil, pois não exige alterações bruscas na rotina. Contudo, o que muitos relatam após pouco tempo de uso é que, sem mudança de hábitos, essas medicações não permitem alcançar grandes resultados.
Em diversos pacientes, o ganho de peso não decorre apenas de escolhas alimentares fora de um plano nutricional “normal”. Ele se origina de um padrão recorrente em que, por diversas causas, o indivíduo passa a comer mais do que o recomendado. Em alguns casos, esse aumento da ingestão está ligado a quadros de ansiedade; em outros, não é possível correlacionar com nenhum evento específico, sendo apenas uma ânsia de comer mais e mais…
O que a medicação para perda de peso pode fazer diante da compulsão?
O efeito principal é a diminuição da fome, porém nem sempre a fome é a única responsável pela ingestão excessiva de comida. Sem um acompanhamento adequado – nutricional, endocrinológico e, sobretudo, psicológico – a simples perda de fome não será suficiente para gerar emagrecimento a longo prazo.
Diante da compulsão alimentar, o Monjauro pode ter impacto limitado. Primeiro, ele pode proporcionar ao paciente uma maior percepção da própria compulsão. Ao sentir menos fome, torna‑se possível identificar em quais momentos o ato de comer responde a uma necessidade básica e quando se trata de uma compulsão. Segundo, ele pode, temporariamente, amenizar a compulsão a partir dessa autopercepção, mas não oferece um tratamento a questão. Visto que o seu efeito é predominantemente biológico e não psicológico.
Qual é a saída?
Para um processo de emagrecimento sustentável a longo prazo, é fundamental dividir o trabalho em duas frentes. A primeira, de curto prazo, envolve uma mudança de rotina: o Monjauro pode ajudar a comer menos nas refeições e a dar um impulso inicial para a prática de atividade física, que é imprescindível para manter os resultados ao longo dos anos. A segunda frente foca na manutenção dos resultados a longo prazo, investigando a relação entre a pessoa, a comida e o corpo. Nesse ponto, a psicanálise desempenha um papel crucial, pois auxilia o paciente a compreender as motivações psicológicas que levaram ao ganho de peso e à compulsão alimentar. Deste modo, evita que ao interromper o uso da medicação, o peso perdido seja reconquistado.
Portanto, a perda de peso efetiva e duradoura raramente acontece apenas com o uso de medicamentos. O Monjauro pode ser um aliado poderoso ao reduzir a sensação de fome, mas sem o suporte da psicanálise, o risco de recaída permanece alto. Unir o tratamento farmacológico ao acompanhamento psicológico cria um plano completo que aborda tanto o corpo quanto a mente, aumentando significativamente as chances de sucesso a longo prazo


