Existe um mito na sociedade de que o tratamento psicanalítico é “difícil” ou “não é para todo mundo”. Buscando contrapor essa ideia, neste texto compartilho, de fato, para quem a psicanálise serve.
Essa pergunta é muito comum quando se fala sobre o tratamento psicanalítico. Existe um mito de que a psicanálise é “demorada”, “difícil” ou “para poucos”, o que pode afastar da análise, sem motivo, pessoas interessadas. Por isso, na imagem do artigo usei a foto de uma multidão, pois não é preciso ter nada de especial para fazer análise. O crucial é estar disposto a construir uma relação com a fala.
Avaliar se a psicanálise é para você é realmente importante, principalmente para aqueles que buscam um tratamento nos moldes de uma lógica de causa e efeito, visto que o tratamento psicanalítico exige que o próprio sujeito se envolva e construa suas soluções. Entretanto, isso não quer dizer que a análise seja um processo necessariamente demorado, pois sua duração não tem relação com o tempo de efeito. Inclusive, teoricamente, muito se discute sobre os efeitos rápidos possíveis de se colher com uma análise, mas este não é o objetivo principal.
Qual é o objetivo de um tratamento analítico?
Teoricamente, podemos dizer que o objetivo é permitir que o sujeito trate sua neurose e possa viver sem os efeitos de seus sintomas (que variam de pessoa para pessoa). Em outras palavras, o objetivo é permitir que você construa uma relação diferente com os sentimentos e pensamentos ruins que lhe afligem e possa viver melhor.
Por isso, a psicanálise é um tratamento que abarca os mais variados transtornos, não trabalhando especificamente com um ou outro. A base do tratamento é a palavra e, por isso, é um espaço aberto para todos aqueles que buscam se questionar sobre o que vivenciam.
Como é o processo psicanalítico?
Para explicar, pensei em uma metáfora em que o tratamento é o processo de abrir caminho em meio a uma mata fechada em busca de respostas sobre si mesmo. Nele, não se estará só: a analista participará desta caminhada de modo a auxiliar e mostrar detalhes que podem passar despercebidos.
Uso a imagem da mata fechada porque ela marca a necessidade de uma escolha e de uma certa disposição. O caminho nem sempre é claro — em alguns momentos, é árduo. É preciso voltar às vivências, escutar palavras, reencontrar pensamentos e crenças que, em muitos casos, doem, deixam marcas ou escapam no instante em que nos aproximamos.
Meu espírito de pesquisadora não deixa de ver na análise um espaço profundamente investigativo — uma investigação sobre o próprio existir.
Ainda ficou alguma dúvida? Fale comigo.


